Onde estão os Applets?

A primeira vez que tive contato com Java ainda usava um Netscape 3.1, Gold, recém-instalado para editar páginas html com maior facilidade, já que vinha com um editor amigável para a época. Escrever html “powered by notepad” ou com outros editores foi divertido, mas só no começo. Nesta época, algumas páginas pessoais de amigos começavam a exibir um recurso muito interessante feito em Java – uma linguagem esquisita. Era difícil imaginar como produziam aqueles “.class” – chamados genericamente de “Applets”.

Quem visitasse uma página com uma animação diferente podia estar diante de um pequeno copiador de Applets alheios, que modificava alguns parâmetros no html, ou de um programador Java, coisa rara de se achar já que a dificuldade em encontrar documentação matava a vontade de aprender de algumas pessoas. Curioso é notar que os efeitos visuais com imagens faziam os Applets cada vez mais populares e ainda hoje, mesmo que sejam difíceis de serem encontrados, é o primeiro recurso que muitas pessoas associam diretamente “aquela linguagem esquisita”.

Applets Java serviram não só para movimentar água em fotos estáticas, mas também difundiram o conceito de portabilidade da linguagem. Funcionar em vários navegadores numa época em que a briga entre Netscape e Microsoft era igual, com alguma vantagem para a Netscape e com várias versões de navegadores circulando pelo mercado, serviu de prova de fogo.

Com o tempo foquei em outras linguagens e me arrisquei a produzir um ou outro applet para fazer animações de textos e menus, mas foi só. Apesar de ter sido muito utilizado para incrementar sites, os Applets foram perdendo espaço para recursos mais dirigidos. Hoje, a Macromedia sai como grande vitoriosa, emplacando tanto o Flash quanto o Director/Shockwave, cada vez mais avançados e amigáveis e ao mesmo tempo dispõem de recursos para programadores avançados em suas linguagens script. Não é exagero dizer que o Flash tomou um grande espaço que já foi dos Applets, mas o foco do produto em Flash ainda é visual.

Este é um modo simples de resumir a diferença entre Flash e Applets. Apesar das vantagens do Flash, o Java criou uma legião de entusiastas que proporcionaram à Sun (criadora da linguagem Java) um retorno bem maior do que esperava, pois não foram só Applets que surgiram a partir da sua arquitetura, mas embriões de IDEs inteiras.

Meu interesse pelo universo Java aumentou quando estas IDEs evoluíram a ponto de serem consideradas maduras pelos programadores que sempre desenvolveram em Java, desde o tempo dos Applets. Existem muitos conceitos para reaprender e muitos não são óbvios. Não basta explorar sem destino um NetBeans, instalar um Eclipse, ler alguma coisa sobre J2EE e esperar sair programando web services. Minha atenção especial, volta-se agora para a instalação e utilização de um JBoss, o funcionamento de um Tomcat, Jakarta, Ant entre outros. Tantos nomes e conceitos envolvem esta linguagem que a única forma de aprendê-los com a solidez e rapidez necessárias para acompanhar sua evolução é empregá-los no dia-a-dia.

Applets podem parecer coisa do passado, mas é um engano. Meu Internet Banking, por exemplo, é recheado de Applets que fazem verificações e montam aqueles teclados virtuais. Applets não só continuam em uso como estão evoluindo. A diferença é que hoje estão cada vez menos visuais e mais funcionais.



Colunista

Tabajara dos Reis

Tabajara dos Reis é desenvolvedor de sistemas. Começou a trabalhar com internet em 1996 no STI BBS, mais tarde STI Internet, adquirido em 1999 na maior operação brasileira realizada pela multinacional PSINet -- onde participou do desenvolvimento do sistema de autenticação, cobrança e atendimento com a missão de unificar todos os provedores adquiridos no Brasil.

Entre 2000 e 2002 participou da criação do hpG, o maior serviço de hospedagem e terceira maior audiência no Brasil, vendido ao iG em 2002. Entre 2003 e 2006 criou sistemas de comércio eletrônico, publicação de blogs, fotologs, músicas e vídeos, além de controles de hospedagens pagas e gratuitas.

A partir de 2006 criou sistemas proprietários para sites de relacionamentos, empresas imobiliárias, classificados, mundos virtuais, corretoras, jornais e agências. Atualmente está envolvido com desenvolvimento experimental de sistemas de busca de alta performance, aplicativos integradores de redes sociais e programação focada em Android. Participa da ABRAWEB desde sua fundação.



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